Sonhar é fácil, mais ainda quando se tem apenas 14/15 anos.
A adolescência faz-nos vibrar, faz com que tudo pareça simples. Afinal de contas com 14/15 anos são-nos exigidas poucas responsabilidades. Bons resultados escolares, bom comportamento e acima de tudo respeito pelos nossos pais. Simples, não?! Até que acordamos para uma outra realidade, decidir o que fazer nos próximos três anos? Eh pá! Agora que estava tão descontraída tenho de tomar uma decisão dessas?!!! Ainda nem pensei o que quero para amanhã e agora tenho de decidir pelos próximos 3 anos. Assustador!!! Só consigo se tiver ajuda. (Nunca fui boa a decifrar-me, sou complicada demais para isso). Então lá teve de ser...uma “ajuda” de três dias, consultas com psicólogo, formulários, testes, quizz, definir personalidade, etc, etc, etc...Comunicação, representação...ou seja falar, falar, falar.
A adolescência faz-nos vibrar, faz com que tudo pareça simples. Afinal de contas com 14/15 anos são-nos exigidas poucas responsabilidades. Bons resultados escolares, bom comportamento e acima de tudo respeito pelos nossos pais. Simples, não?! Até que acordamos para uma outra realidade, decidir o que fazer nos próximos três anos? Eh pá! Agora que estava tão descontraída tenho de tomar uma decisão dessas?!!! Ainda nem pensei o que quero para amanhã e agora tenho de decidir pelos próximos 3 anos. Assustador!!! Só consigo se tiver ajuda. (Nunca fui boa a decifrar-me, sou complicada demais para isso). Então lá teve de ser...uma “ajuda” de três dias, consultas com psicólogo, formulários, testes, quizz, definir personalidade, etc, etc, etc...Comunicação, representação...ou seja falar, falar, falar.
Decisão: Direito ou Jornalismo. Espera lá! UMA decisão, não DUAS decisões. Só podes escolher um caminho. Direito colocar-me-ia sempre num caminho controverso. Então Jornalismo, “pois quero mudar o Mundo” (na adolescência é permitido pensar assim). Que seja! Segues os próximos três anos naturalmente. Contente e orgulhosa com a decisão que tomaste. Até que...agora decide pelos próximos 4 ou 5 anos. Outra vez?!!!
A verdade é que esta foi mais fácil de decidir. Podes mudar de cidade, tinhas de mudar de cidade. Faro, Algarve. Mudas a morada pelos próximos 5 anos e depois voltas à base. Isso era o final feliz do sonho. Até que acordas e percebes que a Vida não te faz todas as vontades, e obriga-te a moldar os sonhos à realidade. Por lá ficas, tens a sorte de encontrar um emprego, e aquilo que sempre disseste que querias ser, torna-se a tua profissão.
Entras numa nova realidade. Começas a receber salário, compras casa, e agrada-te essa vida. Até porque se bem te lembras, era assim que brincavas quando tinhas apenas 9 anos. Brincavas de mulher independente que vive sozinha, toma as suas decisões, faz as suas regras no domínio Lar. Começas a gostar ainda mais do que fazes, entras no “mundo” és aceite como elemento. E segues normalmente um caminho. Consegues evoluir ao ponte de receberes convites para trabalhar. Fantástico, não?! E de repente dás conta de que deixaste de ter de decidir o que vais fazer nos próximos anos, apenas passas a sonhar com o que gostarias que acontecesse. Uma grande carreira, um parceiro (marido, namorado) talvez um filho, ou dois.
Mas ela ( a vida) é muito tramada. Teimosa mesmo. Tudo era tão mais fácil há 15 anos. Apesar das complicações da adolescência. E que complicações, queres sair à noite, não podes, os pais não deixam que tenhas a liberdade que bem te apetece. Um drama. Tantos testes e matéria para estudar. Outro drama. A cabeça de uma adolescente tem de se ocupar com os namoricos, muito mais importantes. Agora sim é bem mais complicado. Compraste uma casa e tens de pagar a prestação ao Banco, pois o teu ordenado não chega, mesmo que trabalhes 24h. Tens de ter um carro. Como recebes pouco o banco foi o teu melhor amigo e até te “vendeu” parte do dinheiro para o comprares. O carro não anda a ar, e o combustível aumenta todos os dias. Tu também tens de comer (embora devesses passar a alimentar-te em
menos quantidade e mais qualidade). Tens de usar roupas adequadas à profissão que tens e ao lugar que ocupas. A sociedade impõe demasiadas regras. És mulher: precisas de maquilhagens, sapatos (muitos sapatos), acessórios a condizer com cada indumentária. Pagas impostos, mas de que te valem?! Pouco ou nada pois precisas urgentemente de uma consulta e não podes esperar por uma vaga no serviço público. Pagas algumas dezenas de euros e vais ao consultório privado.
Mas já chega de te queixares. Não podes, nem deves. Aprende a relativizar.
Há 15 anos era bom? Sim era. Mas agora é bem melhor. Muito melhor. Encontraste aquele com quem sonhavas. Lembras-te que nem para ir despejar o lixo te descuidavas na roupa, não fosse ele aparecer pelo caminho?! E sem dares por ti, numa das tuas piores combinações consegues chamar-lhe a atenção. Estás numa das tuas piores fases. Sim aquelas porque todas as mulheres passam. Sentes-te gorda, apesar de só teres de perder uns 3kg. Feia, muda de creme hidratante e põe uma maquilhagem e a tua pele fica fantástica, vai ao cabeleireiro e tudo se resolve. Deprimida. Não tens razão para isso, continuas
a ter amigos, família, emprego e boa qualidade de vida. Mas és mulher e não podes fazer nada contra isso, todas passam pelo mesmo.
Mas não perdeste a tua maior qualidade, a boa disposição, o teu sentido de humor, sabes rir-te de ti. E quanto menos esperavas é isso que o atrai. Ok, e os teus olhos azuis. Pormenores.
Não estás interessada, mas mal dás por ti já estás completamente apaixonada. Depois sonhas, com calma, mas sonhas. E à medida que o tempo passa e vês tudo a dar certo, sonhas com mais confiança ainda. Mas
deixas de fazer desses sonhos as tuas metas. Como já não tens 15 anos, estás mais madura e aprendeste que a vida nem sempre é fácil, aproveitas um dia de cada vez. Da melhor maneira que sabes e podes. Retribuis os gestos, o carinho, a alegria. Dás mais valor a quem te rodeia. Os teus pais tornam-se ainda mais importantes para ti. Os teus amigos, os verdadeiros, aqueles que contas pelos dedos das mãos, mas que são de verdade, também. Tens quem amas ao teu lado. Sentes-te completa. Sabes que encontraste a metade da tua laranja. És feliz.
A verdade é que esta foi mais fácil de decidir. Podes mudar de cidade, tinhas de mudar de cidade. Faro, Algarve. Mudas a morada pelos próximos 5 anos e depois voltas à base. Isso era o final feliz do sonho. Até que acordas e percebes que a Vida não te faz todas as vontades, e obriga-te a moldar os sonhos à realidade. Por lá ficas, tens a sorte de encontrar um emprego, e aquilo que sempre disseste que querias ser, torna-se a tua profissão.
Entras numa nova realidade. Começas a receber salário, compras casa, e agrada-te essa vida. Até porque se bem te lembras, era assim que brincavas quando tinhas apenas 9 anos. Brincavas de mulher independente que vive sozinha, toma as suas decisões, faz as suas regras no domínio Lar. Começas a gostar ainda mais do que fazes, entras no “mundo” és aceite como elemento. E segues normalmente um caminho. Consegues evoluir ao ponte de receberes convites para trabalhar. Fantástico, não?! E de repente dás conta de que deixaste de ter de decidir o que vais fazer nos próximos anos, apenas passas a sonhar com o que gostarias que acontecesse. Uma grande carreira, um parceiro (marido, namorado) talvez um filho, ou dois.
Mas ela ( a vida) é muito tramada. Teimosa mesmo. Tudo era tão mais fácil há 15 anos. Apesar das complicações da adolescência. E que complicações, queres sair à noite, não podes, os pais não deixam que tenhas a liberdade que bem te apetece. Um drama. Tantos testes e matéria para estudar. Outro drama. A cabeça de uma adolescente tem de se ocupar com os namoricos, muito mais importantes. Agora sim é bem mais complicado. Compraste uma casa e tens de pagar a prestação ao Banco, pois o teu ordenado não chega, mesmo que trabalhes 24h. Tens de ter um carro. Como recebes pouco o banco foi o teu melhor amigo e até te “vendeu” parte do dinheiro para o comprares. O carro não anda a ar, e o combustível aumenta todos os dias. Tu também tens de comer (embora devesses passar a alimentar-te em
menos quantidade e mais qualidade). Tens de usar roupas adequadas à profissão que tens e ao lugar que ocupas. A sociedade impõe demasiadas regras. És mulher: precisas de maquilhagens, sapatos (muitos sapatos), acessórios a condizer com cada indumentária. Pagas impostos, mas de que te valem?! Pouco ou nada pois precisas urgentemente de uma consulta e não podes esperar por uma vaga no serviço público. Pagas algumas dezenas de euros e vais ao consultório privado.
Mas já chega de te queixares. Não podes, nem deves. Aprende a relativizar.
Há 15 anos era bom? Sim era. Mas agora é bem melhor. Muito melhor. Encontraste aquele com quem sonhavas. Lembras-te que nem para ir despejar o lixo te descuidavas na roupa, não fosse ele aparecer pelo caminho?! E sem dares por ti, numa das tuas piores combinações consegues chamar-lhe a atenção. Estás numa das tuas piores fases. Sim aquelas porque todas as mulheres passam. Sentes-te gorda, apesar de só teres de perder uns 3kg. Feia, muda de creme hidratante e põe uma maquilhagem e a tua pele fica fantástica, vai ao cabeleireiro e tudo se resolve. Deprimida. Não tens razão para isso, continuas
a ter amigos, família, emprego e boa qualidade de vida. Mas és mulher e não podes fazer nada contra isso, todas passam pelo mesmo.
Mas não perdeste a tua maior qualidade, a boa disposição, o teu sentido de humor, sabes rir-te de ti. E quanto menos esperavas é isso que o atrai. Ok, e os teus olhos azuis. Pormenores.
Não estás interessada, mas mal dás por ti já estás completamente apaixonada. Depois sonhas, com calma, mas sonhas. E à medida que o tempo passa e vês tudo a dar certo, sonhas com mais confiança ainda. Mas
deixas de fazer desses sonhos as tuas metas. Como já não tens 15 anos, estás mais madura e aprendeste que a vida nem sempre é fácil, aproveitas um dia de cada vez. Da melhor maneira que sabes e podes. Retribuis os gestos, o carinho, a alegria. Dás mais valor a quem te rodeia. Os teus pais tornam-se ainda mais importantes para ti. Os teus amigos, os verdadeiros, aqueles que contas pelos dedos das mãos, mas que são de verdade, também. Tens quem amas ao teu lado. Sentes-te completa. Sabes que encontraste a metade da tua laranja. És feliz.
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